Divorciado: Separado também da Igreja?

Publicado: 12 de fevereiro de 2010 em Notícias IPE, Palavra e Pregação

Divorciado: Separado também da Igreja?

Por Nany de Castro – www.guiame.com.br

O percentual do divórcio no Brasil cresceu em 200% entre 1984 e 2007, passando de 30.847 para 179.342 casos. Esse dado pode ser refletido nas igrejas evangélicas brasileiras, onde tornou-se comum a existência de membros divorciados.

Divisão de bens, a decisão sobre a guarda dos filhos, a queda dos recursos financeiros e a mudança no círculo de amigos são algumas das consequências enfrentadas por pessoas que passam pelo divórcio.

Segundo o bispo e psicanalista, Dr. Luiz Henrique de Paula, o divórcio afeta emocionalmente todos os envolvidos: “Gera a insegurança no casal, principalmente diante do novo, sem falar na questão financeira, que é um grande agravante. Acredito que principalmente as crianças são afetadas com o divórcio e apresentam normalmente agressividade, medos, dores e até regressão no desenvolvimento”.

A terapeuta Alda Fernandes , conselheira cristã e ex-esposa do pastor Caio Fábio de Araújo Jr. , reitera a opinião de Luiz Henrique:  “Mesmo quando o divórcio é amigável ainda é traumático porque ‘alguma coisa não deu certo’. Fica sempre um pouco de frustração, culpa, mágoa, que convergem para uma postura amargurada, de baixa autoestima, depressão etc”.

Nesse contexto, a Igreja pode ter um papel importante na vida de seus membros: “Entendo que o pastor deve acompanhar o casal, antes, durante, e depois do divórcio. Orientar membros da igreja para aproximarem-se deste casal”, afirma o pastor Fausto Brasil, idealizador do Ministério Apoio, que trabalha desde 1996 com cristãos solteiros, viúvos e divorciados.

A Igreja e o divorciado

A advogada Alexandra Bitencourt conta que suas idas à igreja já não eram frequentes no fim de seu casamento. Mas, foi durante o processo do divórcio que ela foi apresentada a outra denominação e passou a frequentá-la assiduamente: “Hoje a minha restauração, cura, e a ‘alegria da segunda casa’ [novo casamento] só foram possíveis em minha vida porque me agarrei com ‘unhas e dentes’ em primeiro lugar a Jesus Cristo e em segundo lugar à igreja”.

Quando questionada a respeito de preconceito por parte de sua antiga igreja em relação a seu novo estado civil, Alexandra diz não ter sofrido isso: “O que eu senti em algumas pessoas foram olhares de ‘piedade’, do tipo: ‘coitada, não merecia isso’”.

Porém, o pastor e terapeuta familiar, Dr. Silmar Coelho, admite que há discriminação da Igreja a pessoas divorciadas: “Preconceito existe não somente para com os divorciados. Todos os assuntos que as pessoas não compreendem muito bem produzem medo; a maioria quando não sabem lidar com uma situação ou fogem dela, ou a veem com suspeita”.

De acordo com o Pr. Brasil, líder do ministério Apoio, os preconceitos dos membros são frutos da posição da Igreja em relação ao assunto: “Quanto mais rígida, mais preconceitos os divorciados vão experimentar, independente do porquê ocorreu seu divórcio”, disse.

Líderes espirituais têm influência para mudar a visão dos membros sobre o divorciado. O pr. Coelho crê que divorciados devem ser tratados da mesma forma que os demais na Igreja: “com amor, paciência, ouvindo e aconselhando, não fazendo pré-julgamentos, não permitindo que elas sejam discriminadas, encarando o problema e o solucionando, e nunca esquecendo que somos pastores não somente daqueles que aparentemente não têm problema algum, mas também dos que aparentemente são problemáticos”.

Deixando os ministérios

“Uma irmã, certa vez, queixou-se comigo: ‘Pastor, meu marido me traiu, me abandonou, divorciou-se, minha vida desmoronou e a igreja, na mesma semana, me retirou de minhas atividades, com uma única justificativa: porque eu agora era divorciada’”, testemunhou o pr. Fausto Brasil.

A separação do casal pode ser o motivo usado por muitas igrejas para o afastamento dos divorciados de seus cargos ministeriais. O Dr. Luiz de Paula acredita que essa atitude é necessária: “Penso que de imediato sim, até para preservá-las e depois de serem tratadas poderão voltar a seus cargos – dependendo do cargo. Para integrá-las precisa ser feito um trabalho lento, um retorno devagar, e com acompanhamento de seus líderes”, acredita.

A terapeuta Alda Fernandes concorda que em determinadas situações a distância do ministério é necessária: “Devemos lembrar que a pessoa quando está passando por um divórcio nem sempre está inteira para se dedicar a um cargo ou um ministério, está fragilizada e precisando de ajuda na sua reestruturação emocional, familiar, pessoal e até material, por isso minha sugestão é que ela se afaste voluntariamente para poder cuidar de si mesma e dos implicados – no caso dos filhos – por um período. Por outro lado, uma atividade em que a pessoa se dedica como líder exemplar pode ser de grande valia nesse momento conturbado. A pessoa, muito mais que a igreja, deve ter bom senso para saber tomar essa atitude ou acatar de bom grado a decisão da igreja se esta tiver esse objetivo”.

De acordo com o pr. Silmar Coelho, determinadas posições de liderança na Igreja não podem ocupadas por membros divorciados: “A Bíblia é muito clara nesse assunto, quando afirma que o líder tem que ser marido de uma só mulher. Creio no perdão de Deus. Não acredito que Deus queira que a pessoa que errou pague pelo erro durante toda a vida. Porém, há certas posições na igreja que exigem que o líder seja irrepreensível. Além disso, é preciso saber se ele divorciou-se antes de estar na igreja ou se o divórcio aconteceu depois da pessoa conhecer a Palavra”.

Fausto Brasil, no entanto, afirma que o arrependimento e a graça de Deus são suficientes para que uma pessoa divorciada ocupe algum cargo de liderança: “Não creio que divórcio seja um pecado imperdoável, como alguns acreditam. Creio que a graça de Deus é suficiente para perdoar um coração arrependido e restaurar uma vida. Entendo que o desqualifica uma pessoa, não é seu estado civil, mas a distancia que está de Deus”.

Para a Dra. Alda, o divórcio não é um pecado: “Tem muita gente casada maltratando mulher ou marido e filhos, com cargos e mistérios;  muita gente casada adulterando e mantendo os ministérios; muita gente casada semeando discórdia, fofoca, manipulando outros e se aproveitando da ingenuidade do próximo, com ministério. O líder deve ser julgado pela sua coerência independentemente do seu estado civil”.

A advogada Alexandra Fernandes entende que há a necessidade de que pastores e líderes estejam preparados para acolher pessoas divorciadas: “Entendo que em primeiro lugar é preciso sair da teoria para prática, com a preparação dos pastores, dirigentes e membros das igrejas para receber, acolher, ajudar e fazer parte integrante no auxílio da recuperação dessas pessoas”.

“Há muitos divorciados, que não se sentem amados, valorizados, e sentem-se à parte da Igreja. Precisamos incluí-los em nossas orações, em nossas mensagens e programações”, aponta o pastor Fausto Brasil.

Fonte: Guia-me

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Comentários
  1. Rosimere disse:

    A paz do senhor, eu li o artigo sobre o divorcio mais ainda tenho duvidas,na minha igreja tem um evangelista que separou recemente,aparemente diz ele que a esposa que quiz,mais ele dirigente de cultos, porém acho eu que ele tinha que se afasta por um tempo obs: não é sair da casa de DEUS..ele pode continuar no altar??? sendo que ele tem pregado espetando os irmãos..obrigado

  2. achei, muito bom esses comentarios sobre o divorcio.é, elucidativo. parabéns.

  3. Wanderson Alvarenga - Bacharel em teologia disse:

    Diversas são as conceituações sobre o casamento, ora propiciador de arranjos políticos, ora baseadas na idéia de instituição, ora na de contrato, ora caracterizando o ato sob concepções filosóficas ou religiosas, ora sob o aspecto formalista da solenidade e, geralmente, definindo o ato pelos seus fins ou efeitos.
    Percebe-se desta forma que, houve profundas alterações comportamentais nos últimos anos que mudaram a trajetória do casamento. Uma longa história carrega esta instituição ao longo do existencialismo humano e nas diversas formas sociais e religiosas; o casamento traz uma série de conceitos que poderiam nortear debates infindáveis.
    O casamento concebido hoje é um produto histórico-cultural, pois ao longo do tempo suas
    funções e concepções foram modificando-se de acordo com o local e seus valores, bem como com os costumes vigentes em cada momento.
    Assim sendo, devemos levar em conta que estando à cultura em constantes transformações, e, os significados sendo produzidos pela cultura, então, estes elementos estão sujeitos à dinâmica das transformações sociais. Com isso, as relações de produção de significados são inerentes às sociedades humanas que possibilitam a própria existência da cultura.
    Considerando as mudanças que o cristianismo produziu com a transformação do
    Casamento “em matrimonio”, e das novas normas de matrimônio indissolúvel e monogâmico, Paul Veyne (1995, p. 36) considera que:
    Com a ascensão do Cristianismo houve a transformação do Casamento em matrimonio, sendo esse indissolúvel e monogâmico, devendo ser realizado entre pessoas com condições iguais. No entanto, as sociedades medievais e antigas viam com naturalidade e ainda toleravam e permitiam o adultério por parte do esposo sem maiores sanções, enquanto que a mulher tinha que se divorciar e ou era repudiada pelo marido.
    Não sou a favor do divorcio, pois reconheço os beneficios do casamento: ajuda mutua, proteção contra as investidas alheias sobre os conjuges, desenvolvimento financeiro, etc. Porem sou contra a mistificação e sacralização do casamento, que é reproduzida pelo fundamentalismo historico em nosso país.
    As igrejas não estão preparadas para acolher e direcionar os divorciados; a orientar um reinicio de suas vidas, mas promovem discriminação sobre os mesmo.

  4. Wanderson Alvarenga - Bacharel em teologia disse:

    Diversas são as conceituações sobre o casamento, ora propiciador de arranjos políticos, ora baseadas na idéia de instituição, ora na de contrato, ora caracterizando o ato sob concepções filosóficas ou religiosas, ora sob o aspecto formalista da solenidade e, geralmente, definindo o ato pelos seus fins ou efeitos.
    Percebe-se desta forma que, houve profundas alterações comportamentais nos últimos anos que mudaram a trajetória do casamento. Uma longa história carrega esta instituição ao longo do existencialismo humano e nas diversas formas sociais e religiosas; o casamento traz uma série de conceitos que poderiam nortear debates infindáveis.
    O casamento concebido hoje é um produto histórico-cultural, pois ao longo do tempo suas
    funções e concepções foram modificando-se de acordo com o local e seus valores, bem como com os costumes vigentes em cada momento.
    Assim sendo, devemos levar em conta que estando à cultura em constantes transformações, e, os significados sendo produzidos pela cultura, então, estes elementos estão sujeitos à dinâmica das transformações sociais. Com isso, as relações de produção de significados são inerentes às sociedades humanas que possibilitam a própria existência da cultura.
    Considerando as mudanças que o cristianismo produziu com a transformação do
    Casamento “em matrimonio”, e das novas normas de matrimônio indissolúvel e monogâmico, Paul Veyne (1995, p. 36) considera que:
    Com a ascensão do Cristianismo houve a transformação do Casamento em matrimonio, sendo esse indissolúvel e monogâmico, devendo ser realizado entre pessoas com condições iguais. No entanto, as sociedades medievais e antigas viam com naturalidade e ainda toleravam e permitiam o adultério por parte do esposo sem maiores sanções, enquanto que a mulher tinha que se divorciar e ou era repudiada pelo marido.
    Não sou a favor do divorcio, pois reconheço os beneficios do casamento: ajuda mutua, proteção contra as investidas alheias sobre os conjuges, desenvolvimento financeiro, etc., porem sou contra a mistificação e sacralização do casamento, que é reproduzida pelo fundamentalismo historico em nosso país que considera o divorcio como pecado.
    As igrejas não estão preparadas para acolher e direcionar os divorciados; a orientar um reinicio de suas vidas, mas promovem discriminação sobre os mesmo.

  5. flavioevg disse:

    A MULHER começa uma caminhada ao lado do seu marido (ambos evangélicos) e ela não agüenta as provações, dificuldade, adversidades, não quer mas se envolver na obras, repudia seu marido nega a fé, se entrega ao mudo,quer leva seu marido e filhos junto com ela para o mudo.
    Ele por sua vez não sede, porque ama a Deus e quer servi-lo acima de tudo e sem duvida prefere optar por servir ao Senhor ao invés de se entregar concupiscências da carne. Ela pede separação dele. Ele conversa mostra na bíblia exponha tudo que Deus espera de nos como cristãos etc.Faz tudo ao seu alcance como homem carnal e espiritual, para salvar seu casamento, seu lar e resgatar-la das mãos do inimigo, mas Ela não quer .Ele entra em oração, jejum faz propósito ,voto com o Senhor mas mesmo assim ela na sede(coração duro) não quer acordo com nem com Deus muito menos com ele, eu pergunto por conta disto Ele vai ser julgado incapaz /digno de repreensão/pecador. AI vão querer me dizer que ele não governou bem sua casa e não deve nunca ser pastor,que ele não tem como aconselhar, casal etc.
    A bíblia diz : (Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? Amós 3:3)

    Meu pastor: Deus deu livre arbítrio aos Homens e apesar de quando casados sermos uma só carne não podemos obrigar ninguém a viver com ninguém (E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos. Zacarias 4:6) como homem de Deus não me dou o direto jamais de pedir separação vou ate o fim tentando ajudar, resgatar, salvar não somente o casamento mas também a vida do cônjuge porem se é da vontade dela irredutível paciência.( E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor. Atos 21:14)
    Se a pessoa conhece a palavra tem toda chance e meios de resolver a situação ou melhor de se arrepender abrir os olhos e fazer o que é reto ao Senhor e não o faz, não quer, a bíblia diz: (Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna gálatas 6.8)
    Meu pastor: um homem espiritual, sabe do seu chamado e sabe que vem de DEUS levando em consideração o que a bíblia nos diz(Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria? Números 23:19)
    Ou seja meu pastor Deus cumpre o que promete aos seus servos lembra de PAULO atos 28 sofre naufrágio, foi mordido por um víbora mas não morreu por que tinha promessa de Deus em chegar em Roma.
    Meu pastor a bíblia nos ensina : (Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. Mateus 7:2)
    Cada caso é um caso, cada situação uma. (E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; 2 Timóteo 2:24) Quem mais pode aconselhar ao outro, se não á aquele que já passou pela prova.
    Fica na paz Deus abençõe

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