Deus e as catástrofes

Por Marcos Pinheiro

O sofrimento de milhares de pessoas é algo que verdadeiramente nos toca as fibras mais profundas do coração. Ao vermos as terríveis cenas pela televisão, relativo ao tsunami, a queda do vôo 447 da Air France, aos desabamentos de Angra, as enchentes em São Paulo, Rio e Minas Gerais, quem não se emociona?

As catástrofes sempre levantam questionamentos acerca da providência de Deus. Inclusive a fatídica questão se Deus é poderoso e bom, como pôde acontecer tamanha catástrofe? Se Deus é onipotente e nada fez, resta-nos pensar que não é bom. Mas, se Deus é bom e nada fez que pudesse evitá-la, a conclusão óbvia é que não é onipotente?

Para entendermos as catástrofes que sobrevêm à humanidade precisamos levar em conta dois pilares da revelação Escriturística, que são a realidade da queda moral e espiritual do homem no Éden e o caráter santo e justo de Deus. A queda moral e espiritual do homem, devido sua desobediência, trouxe consequências terríveis a toda a sua descendência. Em outras palavras, a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes. Portanto, somos por natureza, inimigos de Deus e filhos da ira.

É desta natureza corrompida adâmica que procedem nossos pecados. A humanidade inteira, sem exceção, visto que não há um único justo, um único inocente e sem pecado, está sujeito à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva o que inclui as misérias temporais onde se enquadram as catástrofes e as misérias espirituais que a Bíblia chama de morte eterna.

As Sagradas Escrituras revelam com bastante lucidez, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser injusto, que Ele mesmo é quem determinou as catástrofes sobre a raça humana, como parte das misérias temporais. Foi Deus quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou com a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6:17). Foi Ele quem destruiu Sodoma e Gomorra com fogo caído do Céu ( Gn 19:24). Foi Ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, matando os seus primogênitos (Ex 9:13). Foi Ele quem enviou os caldeus contra Israel resultando na morte de velhos, mulheres e crianças (Det 28:49). Foi Ele quem enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2 Reis 24:2). Foi Ele quem ameaçou Israel com pestes, fomes, carestia, seca e pragas se desviassem dos seus caminhos (Det 28).

O próprio Jesus profetizou a chegada de guerras, terremotos, fomes e epidemias (Lc 21 :9). Em 2 Pedro 3:7, Deus decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo. Uma análise detalhada dos textos Escriturísticos nos leva a concluir que as catástrofes temporais são causadas tanto por um pecado individual e específico como também por conta do estado de pecado e culpa geral em que todos nós nos encontramos. Toda tragédia mortal é um chamado de Deus para os vivos se arrependerem.

Esta foi a impressionante declaração de Jesus àqueles que lhe trouxeram notícias de calamidade. A torre de Siloé caiu e dezoito pessoas foram esmagadas. Perguntaram a Jesus: o que dizes sobre isso? Ele respondeu: “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis“ (Lc 13: 4-5). As catástrofes são um lembrete da nossa fragilidade; de que a nossa vida é como vapor; de que devemos nos arrepender dos nossos pecados. É fato incontestável que Deus muitas vezes usa as tragédias para nos trazer para mais perto Dele, para nos despertar de nosso estado de morbidez e considerar a eternidade que está diante de nós.

Cremos como cristãos que Deus pode sempre fazer limonada suave de cada limão amargo que a vida nos proporciona. Deus usa as catástrofes para nos chamar para a verdadeira vida. Esse é o poder gracioso e transformador de Deus, tomando nossas tragédias pessoais e coletivas, nos impulsionando a crescer espiritualmente, a sermos mais solidários e fiéis a Ele em tudo.

As Escrituras Sagradas, regra de fé para todos os cristãos, nos ensina que somente Deus é soberano. O domínio é de Deus, o poder para sempre é Dele, nisso está nossa firmeza, força e segurança. É isso que nos dá sentido em meio às dores e sofrimentos que assistimos em todo o mundo. Finalmente, toda a criação está sob o seu meticuloso cuidado. Todos os acontecimentos, mesmo as catástrofes mais dolorosas, fazem parte de seu propósito eterno. Diante das tragédias devemos nos lembrar que elas ocorrem como parte das misérias temporais resultantes de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Ao mesmo tempo em que Ele cuida, também exerce juízo sobre a criação!

(extraído do jornal O POVO)

MARCOS PINHEIRO é engenheiro, professor da Unifor e Membro da Assembleia de Deus.
Anúncios

Um comentário em “Deus e as catástrofes”

  1. BOOK OF THE HOLY SPIRIT TRUE. LIVRO DO ESPÍRITO SANTO VERDADEIRO. http://livrodoespiritosanto.webnode.com.br/
    Só posso dizer para os meus irmãos o que o Senhor, depois de trinta anos de resistência, me convenceu. O Deus, o anjo, o homem que: cria a dor, o sofrimento e a morte é um diabo. O homem, o anjo, o Deus que oferece a sua vida para não causar tais situações ao semelhante, esse tal é um em União com DEUS PAI SUPREMO BEM. No Bem. Não existe Mal. A Paz do Senhor Jesus. Continue com, em e para Cristo. Um abraço. João Joaquim Martins.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s