Após transformar o forró, Felipão se dedica à carreira Gospel

Ousadia é marca registrada de Felipão. Aos 16 anos, o cantor já parecia ter decidido não deixar um início de carreira prematuro comprometer as marcas que fixaria no forró cearense. Foi a busca incessante pelo diferente que tornou Felipão um dos pioneiros do forró suingado, aquele que une percussão à zabumba e à sanfona. Agora, o ícone do forró elétrico encerra a carreira no forró para se dedicar à música Gospel.

Motivo é decepção com forró

A drástica mudança no estilo musical de Felipe Aragão Gurgel (26) é fruto de uma decepção com o forró. O cantor foi perdendo a vontade de subir aos palcos quando começou a perceber que o forró estava deixando de ser um ritmo musical para se tornar um estilo de vida em que tem “moral” aquele que beber muito uísque, pegar muita mulher e ter um som potente no carro.

Casado há cinco anos e pai de duas crianças, o cantor chegou a impedir que sua música fosse ouvida em casa porque as letras eram incompatíveis com a postura que adotara em relação à sua família. “Qual o exemplo que eu estava dando para as minhas filhas?”, questiona.

Intenso ritmo de trabalho contribuiu

O frenético ritmo de trabalho das bandas foi outro motivo para deixar de vez o forró. Felipão revela que o cansaço excessivo e a falta de tempo para a família foram os motivos pelos quais começou a beber exaustivamente e até entrou em depressão. “Hoje, eu tenho visto muita gente do meio se envolver com drogas. Eu, graças a Deus, nunca nem vi cocaína pessoalmente, mas na bebida eu estava acabado”, lamenta.

Atritos pela saída do Forró Moral

O sucesso nunca impediu que Felipão traçasse novos caminhos. Sempre em busca de uma espécie de coerência pessoal, o cantor chegou a se desentender com a família por conta da agenda lotada. Incompreendido, ele deixou o Forró Moral no auge do sucesso e seguiu a carreira solo com um ritmo de shows mais ameno.

Conversão à igreja

Reduzir, no entanto, nem sempre é o suficiente. Convertido à igreja evangélica, Felipão passou a sentir-se incomodado com o tipo de música que cantava, a apologia à bebida e as danças sensuais que caracterizavam seu personagem no palco.

Sem o famoso cavanhaque, o cantor tira o chapéu literalmente e abandona a dança que marcou a transição do xote tradicional para uma dança mais solta e individual. O rebolado intuitivo e as mãos por trás da cabeça, característicos do personagem Felipão, dão lugar a um artista mais sereno e leve.

Novo CD

Agora, Felipe (como prefere ser chamado) grava seu primeiro CD Gospel e parte para um projeto diferente: “Agora eu estou vivendo da maneira que Deus quer. É um projeto que é um propósito de vida e não mais um produto. Eu quero mostrar o que mudou minha vida para as pessoas”, finaliza.

Fonte: Portal Verdes Mares

 

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