II Marcha pela Paz no PK é notícia no Diário do Nordeste

Moradores pedem segurança

por Ivna Girão da Redação do DN

A II Marcha pela Paz, realizada ontem, alertou para a falta de segurança no bairro e exigiu mais áreas verde

Vestidos com blusas brancas e levando faixas pedindo mais segurança, dezenas de moradores do bairro Presidente Kennedy participaram, ontem pela manhã, da II Caminhada pela Paz. Nas ruas o clima é de medo. No sábado à noite um jovem foi assassinado e, conforme o organizador do evento, Rafael Meneses, outros dois foram mortos nos últimos dias.

O hábito de pôr as cadeiras na calçada e a tranquilidade da conversa no portão estão sumindo. Assaltos e furtos que acontecem diariamente, explicou a costureira Maria da Cruz Silva, de 51 anos. “Todo dia a gente sabe de uma história, de alguém que teve a bolsa roubada ou de uma briga por causa do crack. A situação só piora e ninguém faz nada pela gente”, reclamou.

Durante a caminhada também foi exigida mais celeridade na execução do projeto do Parque Rachel de Queiroz, na área verde Rua Parsifal Barroso.

O cabeleireiro, Elieldo Duarte, de 35 anos, lamentou a violência ter “dominado” o bairro e entorno. Segundo ele, a região, atendida pela Secretaria Executiva Regional (SER) III, tem sido frequentemente negligenciada em nome de outros projetos da Prefeitura que só valorizam o turismo e o litoral. “Faz tempo que ninguém ouve falar de nenhum trabalho para cá, nenhuma ação positiva.

Estamos isolados, sozinhos. Assim, a bandidagem toma conta”, disse o cabeleireiro, enumerando que, só neste ano, já ouviu falar de pelo menos uns 20 assassinatos no bairro. Há um ano, o grupo realizou outra caminhada com a mesma pauta de negociação; de lá para cá, segundo ele, nada mudou, só piorou.

Além da demanda da segurança, moradores exigem mais celeridade nas negociações do Parque Rachel de Queiroz. Conforme Rafael Meneses, a onda de violência só vai diminuir quando a Prefeitura der mais atenção e prioridade ao local que, como outros, sofre com a ausência do poder público nas áreas da saúde, educação e lazer. “Nossa juventude está esquecida, sem rumo. Não temos opção de diversão para a população. Queremos muito que as obras do parque comecem logo”, comentou.

Moradores cobraram também a urbanização e melhoria da iluminação da área onde será construído o parque, que se tornou um dos locais mais violentos do bairro e esconderijo de assaltantes. População lembrou de fatos marcantes que desencadearam a pressa na requalificação da área verde: em março de 2007 um jovem foi encontrado morto dentro do parque; no início de agosto uma criança foi violentada e morta e, semanas depois, uma mulher foi assassinada pelo namorado, no mesmo local.

Resposta

De acordo com major Lourival Lima, responsável pela região, a população é o termômetro para medir o nível de violência e que, com essa manifestação, irá realizar, nesta semana, ações de saturação. “O Presidente Kennedy é até uma área tranquila, mas, com os últimos acontecimentos, vamos centrar mais nossas atenções. O policiamento do bairro é feito por uma viatura da PM, outra do Ronda e três motopatrulhas”, comentou.

RACHEL DE QUEIROZ

Dez anos de luta por parque

Para Aguinaldo Aguiar, da coordenação do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz, o grande problema é a falta de prioridade do poder público com a zona oeste da cidade.

“Há dez anos a gente luta pelo parque, por mais lazer e valorização de uma área verde, que está abandonada, correndo risco de ser roubada por ação da especulação imobiliária que quer construir apartamentos lá. A negociação está devagar, quase parando. Se não fosse a articulação dos moradores estaria tudo mais difícil”, comentou.

Conforme Aguiar, a Câmara Municipal de Fortaleza aprovou uma emenda ao Plano Plurianual 2010-2013, mas faltou liberar a verba, orçada em R$ 4 milhões. A gestão teria, segundo ele, retirado os recursos previstos no Orçamento do Município e aplicado em obras na Praia de Iracema.

O Parque Rachel de Queiroz é um projeto que envolve 11 bairros, entre eles o Presidente Kennedy. A área total é de aproximadamente 255 hectares e vai atender cerca de 500 mil habitantes.

O projeto prevê uma intervenção de recuperação, preservação ambiental e construção de equipamentos para a prática de esportes e atividades culturais no percurso do Riacho Alagadiço, pelos bairros das regionais I e III, onde há, pelo menos, quatro grandes áreas verdes: no Polo de Lazer da Avenida Sargento Hermínio, no Bairro Ellery; no bairro Presidente Kennedy, ao lado do Colégio Santa Isabel; no Açude Santo Anastácio, no Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará; e onde está a Casa dos Benjamins.

A assessoria de comunicação da SER III informou que há sim projetos sociais para o bairro e, entre eles, está o trecho 6 do Parque Rachel de Queiroz. Atualmente, o projeto está em fase de conclusão orçamentária e deve chegar a R$ 5 milhões.

A Prefeitura de Fortaleza informa, ainda, que busca agora recursos junto aos governos federal e estadual para que seja dado início ao processo de licitação para as obras.

Leia a matéria no site do Diário

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