Preservar é preciso

TICIANA DE CASTRO
Repórter

Cerca de três mil jovens cearenses integram o Atitude 434, movimento de pureza sexual da Igreja Batista Central de Fortaleza. Eles propagam a escolha através do uso de um anel de prata, que traz uma referência bíblica à uma vida de dignidade ao corpo

Inspirado nos fundamentos do programa “True Love Waits” (O verdadeiro amor espera”), criado pelo pastor Danny Patton em Baltimore (EUA), no ano de 1994, a Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC) deu origem, em 2006, ao Atitude 434. Assim como no movimento norte-americano, o local tomou, como símbolo, o Anel de Pureza, também chamado de “anel de prata” ou “anel de santidade”.

Nele, surge inscrito a referência bíblica 1 Ts 4:3-4 (primeiro livro de Tessalonicenses, capítulo 4, versos 3 e 4), passagem esta que diz: “Deus quer de mim vida pura: fugindo da imoralidade sexual; aprendendo a dar dignidade ao meu corpo e não sendo dominado pelo desejo. Deus espera de mim dedicação radical”.

Assim, o Atitude 434 tem, como objetivo, difundir o sexo dentro do matrimônio, estimulando jovens solteiros a esperar pelo casamento para ter vida sexual ativa. Os casados também têm suas instruções. Eles são incentivados a se manter fieis aos cônjuges.

Em conversa com o Zoeira, o coordenador da rede de jovens da IBC, Orlando Neri, afirmou que o movimento pede apenas o cumprimento do que Deus reservou aos seus filhos e que mostra o quanto vale esperar – o tempo que for necessário – para ter intimidade com a pessoa certa.

Atualmente, a IBC já conta com cerca de três mil integrantes – a partir de 14 anos de idade – no movimento. E todos são convidados a assumir publicamente a escolha. “Os jovens não devem calar o compromisso que fizeram com Deus. Devem, por exemplo, na roda de amigos da faculdade, enfatizar a certeza de que querem ser puros”, ressalta.

E como é o processo de realização deste compromisso? Orlando Neri explica que, duas vezes ao ano, acontecem seminários de pureza sexual, onde os jovens são convidados a entender a proposta do Atitude 434. Lá, participam de atividades antes de decidirem se querem ou não optar pela aliança.

“Durante os eventos, os integrantes assistem a palestras esclarecedoras sobre sexualidade, pornografia, enfatizando valores e princípios, com apresentação de vídeos e tira-dúvidas. Só depois ocorre a cerimônia, quando são chamados a fazer o voto, selado com o uso da aliança de prata”, diz o coordenador. Segundo ele, 95% dos participantes do seminário fazem a adesão, até porque se inscrevem no evento já tendo ideia do que o mesmo trata.

O próximo seminário, inclusive, acontecerá dias 25 e 26, sábado e domingo, durante a programação do XX Encontro para Pastores e Líderes (EPL). Veja box na página ao lado.

Puros no amor

Os jovens Carolina Vasconcelos, 26 anos, e Lucas Vinhas, 23, aderiram ao Atitude 434 no primeiro ano do movimento em Fortaleza. Na época, eles eram apenas bons amigos e compartilhavam a ansiedade de viver a pureza e a espera pela pessoa certa em Cristo.

“Nós guardávamos, no coração, a tranquilidade de estar fazendo o certo. Era e é maravilhoso até agora”, afirma Carolina.

O namoro veio bem depois, aliado à cumplicidade de amigos. A partir daí, o casal confessa que as tentações cresceram. Mas que, prontamente, as ocasiões de queda passaram a ser evitadas. “Nós não ficamos a sós nunca. Evitamos beijos mais profundos e abraços, só de lado. Ah, já até ficamos 40 dias sem nos beijarmos. Foi ótimo para aprendermos a lidar com o nosso auto-controle”, conta Carol.

Além disso, uma vez por semana o casal – assim como os demais integrantes do movimento – frequentam o que chamam de “Pequeno Grupo”, uma espécie de grupo de oração, onde encontram os amigos da IBC, todos focados nos mesmos objetivos. Há também o “mentoriamento”, realizado quinzenalmente, quando se reúnem com pessoas mais experientes da Igreja para compartilhar as experiências, dúvidas e dificuldades na caminhada.

“O primeiro passo para a queda é querer andar sozinho. Sempre procuramos passar essa ideia. Daí, a importância de frequentar a Igreja e de conviver com pessoas com os mesmos propósitos”, destaca Orlando Neri.

Casar virgem

Após uma temporada “solta no mundo”, como ela mesmo denomina, Ariadna Almeida, 22, diz ter retornado à vida destinada a Deus. “Minha mãe me trouxe à Igreja aos sete anos. Sempre fui fiel. Mas de 17 a 20 anos vivi para o mundo. Fiz de tudo um pouco. Mas, graças a Deus, fui resguardada quanto à questão da sexualidade”, comenta.

Há quase dois anos, Ariadna voltou a ser assídua na Igreja. Atualmente, ela trabalha na IBC como assistente de recursos humanos e também é orgulhosa de ter feito o voto da pureza sexual. “É difícil me manter casta, mas sei que esta é a vontade de Deus. Eu também tenho o sonho de casar virgem. Minha mãe engravidou de mim muito nova e sempre me ensinou que vale a pena esperar”, conta.

Ariadna defende que, para os solteiros é mais difícil se manter longe do pecado da carne do que para os namorados. “Ah, os solteiros têm o problema da carência de atenção. Fica complicado para mim, por exemplo, não usar uma roupa mais curta ou decotada, que eu sei que vai agradar os homens. É difícil ficar discreta… Os casais de namorados cuidam um do outro na caminhada, é diferente, entende? Não posso mentir que já caí em tentação depois que entrei no movimento, mas sei que Deus me ama como sou e me chama a recomeçar sempre. O amor de Deus é tão grande que me sinto constrangida a errar de novo”, conclui Ariadna.

Fonte: Diário do Nordeste

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s